As Palavras

Um blog onde trago as coisas do meu e do nosso mundo.

14/5/10

Tempos…

Quando pensamos em passado, logo nos vem uma referência linear, algo que nos mostra um “antes” e um “depois”, mas sabemos muito bem que a criação do tempo cronológico como o conhecemos foi do homem, em uma tentativa de se organizar e também organizar a sociedade ou por que não seria controlar? Sinceramente, me questiono por que o tempo é tratado com certa frieza e desprezo às vezes? Digo isso porque muitas pessoas são escravas do relógio. Acordam logo cedo e no exercício do seu livre arbítrio, ao invés de olharem para o céu ou para a pessoa amada ou mesmo para si, olham para o relógio. Triste isso.

Questiono o porquê a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) permite jornadas de até 44 horas semanais, quem disse que isso seria o melhor para o Homem? Mas o que foi visto, quando estabelecida, foi o melhor para a tal economia. Com isso nos resta muito pouco tempo para outras coisas, isso quando não levamos a tira colo “n” situações, questões, estresse e decisões a serem tomadas sobre o nosso trabalho. Nesse sentido me recordo de uma velha frase: “O trabalho enobrece o homem.” Mas, enobrece mesmo?

Segundo o ultimo relatório da Organização Mundial de Saúde, há uma preocupação constante com relação ao aumento da incidência de transtornos mentais na população. Estima-se que em 2014 a depressão será a doença que mais causará incapacidade do indivíduo e hoje ela só perde o primeiro lugar para doenças cardíacas. A depressão, só pra ilustrar um pouco, é uma doença de causa multifatorial e que está relacionada principalmente a eventos de vida e em como o indivíduo lida com o que acontece com ele ao longo das suas experiências. A isso soma-se o desamparo afetivo, a falta de uma referência familiar legítima que tenha sentimentos bons para serem semeados, a não procura por parte da pessoa para se cuidar física e mentalmente.

Vasculhando o site do Ministério da Saúde, encontrei uma apostila gigante, onde estão relacionadas as doenças provocadas pelo trabalho. Logo pensei: “Perfeita desculpa para os que não querem trabalhar!” Mas o problema não está no trabalho em si, mas na forma como ele é imposto e enfiado na vida de muitos como a única forma de ganhar dinheiro porque afinal de contas isso é fundamental no sistema capitalista que vivemos. Gostar de algo e ganhar dinheiro com isso é outra história, é para quem procura…procura…muda de um lugar para o outro e não acha…ai de repente você fez uma faculdade, se formou em uma pós e vai trabalhar em uma área totalmente diferente porque afinal de contas isso lhe faz feliz, simplesmente. Será que algo está errado? Para onde vai tanta pressa por “progresso”, alias, há mesmo um progresso que possamos dizer humano?

Estou fazendo essa reflexão sobre o tempo para dizer que ele não existe, há somente as convenções que criamos para entender as coisas como um ontem, hoje e amanhã. Em termos de relacionamento isso acontece da mesma maneira e o problema ocorre quando essa coisa do tempo fica bagunçada e o que era passado deixamos afetar nosso presente e comprometer nosso futuro. Não há como esquecer o passado isso é fato porque mais do que passado, ele fez e faz parte da nossa história, somos hoje o resultado do que vivemos ontem. O que irá fazer diferença é como você lida com o que se passou da sua história.

Relacionamentos que não deram certo, sejam de casais, de amizades ou entre familiares mostra não somente a importância de fazermos o exercício da compreensão como o quanto é imprescindível não deixarmos mal estares nos consumirem e coisas mal resolvidas dentro da gente. É importante darmos voz, cuidarmos do que se passa conosco, pois tem coisas que somente nós podemos encarar e lidar da melhor maneira para que o sofrimento seja o mínimo e que ele tenha um sentido de aprendizado na vida.

Os relacionamentos foram feitos para durarem o tempo que forem para durar, mas isso é tão difícil de aceitar porque o tempo de um amor, de uma paixão não é um tempo que contamos no relógio. É um tempo contado na vida, na intensidade dos momentos vivenciados. Podemos sofrer por não estarmos com quem queríamos, mas se realmente fizemos tudo o que podíamos e que por escolha da outra pessoa ou por causa de alguma fatalidade não estamos mais com ela, nos resta caminhar e entender que aquele tempo, de tantas coisas belas ficou marcado dentro de nós e nada impede que a partir do agora possamos criar e escolher viver tantos outros momentos que nos marquem de uma maneira especial, nem mais nem menos, simplesmente especial.

É fundamental entendermos também que amores ou paixões, aliás, relacionamentos não se comparam, dizer para alguém que está conosco que “Com Fulana(o) não era assim ou com Ciclana(o) não era assado” não acrescenta em absolutamente nada na nossa vida e nem na do outro. É preciso se libertar, nós nos libertarmos do que nos incomoda.  Mas é claro que comparações são inevitáveis, isso não é ruim desde que saibamos administrar esse fato dentro da gente ao ponto de não projetarmos experiências ou expectativas de relacionamentos anteriores na vida atual pois com isso armamos armadilhas para nós mesmos.

Em determinadas situações na vida, passamos por momentos que paramos e pensamos: “Não quero mais isso para a minha vida!”, só que o tempo passa e acabamos por repetir justamente a história que nos fez sofrer. Não é necessário um querer, precisamos mais que isso na verdade, é importante prestarmos atenção em nós e escolhermos caminhos que nos façam felizes, mas alguém pode me dizer, mas eu me apaixonei, meu coração que mandou em mim e não é para ser assim??? Claro, ouvir o coração é primordial, mas uma coisa é ouvir o coração, outra coisa é dar voz a algo que possa estar mal resolvido na nossa história e que nos faz caminhar para passarmos pelas mesmas coisas, problemas e sofrimentos. Dessa maneira, simples, eu digo que o cuidado conosco não deixa de ser algo mais que importante, mas de que cuidado estou falando? Do cuidado em termos sensibilidade, serenidade e realidade sobre os fatos que vivemos porque a compreensão nos traz calma e não sofrimento.

Ao passarmos por algo que nos fez sofrer, o mínimo que seria interessante fazer é a reflexão sobre qual o tipo de escolhas fizemos que o sofrimento se tornou real e concreto? Talvez esse seja um bom primeiro passo para que as dores do passado fiquem no passado e que a lembrança de algo ruim seja presentificada com outro sentido, um sentido que venha somar em nosso presente para um futuro mais maduro e feliz.

Certa vez, ouvi no Budismo que o apego nos faz sofrer. Não entendia muito bem no começo inclusive o que significava apego, até o momento que percebi o quanto eu sofria porque era apegado a certas coisas. Apegar-se é prender-se a algo que é do mundo, do universo, da vida. É não respeitar o fluxo da natureza que se apresenta como um eterno ir e vir, como a vida, o tempo, a felicidade, o sofrimento vem e vão. As únicas coisas que temos concretamente para dizermos que são nossas, são o nosso ser, o corpo e as escolhas. E se esse ser for contemplado com um olhar sobre si mesmo, encontrará uma longa estrada, mas uma estrada bela e sempre convidativa a conhecermos um pouco mais de nós.  E a partir daí, conseguiremos permitir que as coisas vão embora, inclusive as que nos fazem mal.

criado por marcio.hgo    1:08 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, ,

25/3/10

O encanto…

A palavra encanto sempre foi uma palavra que me chama atenção, mas nem tanto por ser uma palavra, mas pelo que ela pode vir a representar-se. Creio que os relacionamentos têm que se basear na simplicidade do encanto. Encantar-se com o outro é ver quem ele realmente é, é abraçar a sua essência sem preconceito, ao mesmo tempo em que também é permitir-se ser tocado(a) por aquele que te encanta. Quem se encanta, canta com o outro, para o outro e sem se preocupar se há afinação ou não, rs.

Cada encanto pode se manifestar através de pequenos detalhes, mas no geral é aquele sentimento que te pega por dentro, te vira do avesso, te faz derreter-se com a fala, o cheiro, a vibração da energia daquele que está ao seu lado e tudo isso de uma maneira natural, em seu próprio ritmo e cores.

A indiferença é justamente algo que vem do lado contrário, é algo que não é bom e nem ruim, é indiferente, indiferente porque não há um peso para certas coisas em nossas vidas, elas ficam sem gosto, sem cor, sem paisagem e não nos cabem.

As pessoas podem ser novas e não entender certas coisas, porém, coisas ligadas ao sentimento e a falta dele são rapidamente captadas. Digo isso porque não é se “firmando” em uma relação que só há um sentimento de carinho e amor de uma parte que o conceito família será concreto. Família é no plural e esse plural inclui sentimento e amor que contagiam a todos.

Separações são possíveis de serem explicadas e compreendidas por todas as idades. Às vezes separações são tão importantes que se tornam libertações, libertações da gente mesmo e das escolhas que não nos fizeram bem, pois abrimos a porta da possibilidade para o exercício da nossa liberdade, de dizer o que queremos, o que não queremos perto de nós, de dizer o que nos causa felicidade e prazer na vida e na cama. 

Quando forçamos uma situação estamos dando a idéia de que aparências funcionam e as pessoas podem viver com isso, mas isso é felicidade? Digamos que você viva pela sua vida com alguém que você não tenha afeto, como explicar isso? O que te prende?

Porque em uma situação como essa ensinamos que o sentimento próprio não tem tanta importância e com isso geramos pessoas inseguras que não apostam no que sentem, que podem não acreditar em si e na busca pela felicidade. E no futuro, quando for ter alguém do lado pode repetir essa história e a felicidade acaba nem passando pela porta.

Não estou determinando que esse caminho será o único, mas é um caminho que passa todas essas questões. Ninguém precisa disso, há sempre um lugar para nós no mundo e no coração de alguém, mas é preciso buscar, amar e não ceder….um viva aos encantamentos. =)´

Musica do dia:

Enigma - Return to Inoccence

Don’t be afraid to be weak
Don’t be too proud to be strong
Just look into your heart my friend
That will be the return to yourself
The return to innocence.

criado por marcio.hgo    1:27 — Arquivado em: Sem categoria

10/2/10

Um caminho adiante

Chega um momento em que a gente quer um algo a mais. Ou mesmo sente que há uma perspectiva adiante que facilite o crescimento e a realização dos nossos ideais, idéias, pensamentos, críticas enfim, percebemos que o pedaço do mundo ao qual fazemos parte pode ter um pouco mais de nós.

Pensando nisso, esse blog ganhará um espaço maior. Nem tenho idéia de quantas pessoas o visitam, mas pensando em possuir características mais interessantes para os visitantes, espaço para divulgar outros Blogs, fazer parcerias a fim de possuirmos um conteúdo que possa acrescentar mais coisas à vida das pessoas através de outras histórias de vida,  fiz o registro do endereço http://www.aspalavras.com.br.

Aos poucos migrarei todo o conteúdo desse blog para o site que estarei desenvolvendo. São pequenos passos, mas é algo que me deixa com mais flexibilidade de trabalhar no conteúdo para que ele possa servir à um pedaço da vida de quem o acessa. De maneira simples, clara e viva.

Como uma estrela, a luz de certas coisas não cessa e mesmo que um algo encontre seu fim, a sua luz permanece, mas nunca no mesmo lugar, uma vez que a luz viaja para várias direções, assim como as palavras que compartilho e que cada um pode compartilhar comigo, fazendo parte desse blog, da minha vida e agora do site.

Abraço a todos.

criado por marcio.hgo    23:24 — Arquivado em: Sem categoria

9/2/10

Recortes

 

Fazemos recortes a todo tempo. Pegamos matérias de jornais, nos apropriamos das palavras dos grandes líderes ou pensadores ou simplesmente pessoas do mundo que, em um momento de contato consigo mesmo, transportaram de suas mentes e corações, singelo sofrimento, um sonho audaz ou mesmo palavras de um grande amor. Tomamos isso para servirem de ilustração para os nossos instantes entre o nascer e o morrer. A efemeridade da vida nos faz isso. 

Somos como escavadeiras errantes, procurando sem controle possíveis respostas, e cavamos, cavamos, cavamos… mas ao cavarmos encontramos somente um buraco com fundo espelhado.

Não quero colagens. Hoje escrevo a minha própria literatura. Livre, solitária, colorida, ácida, errada na rima, (im)própria, incongruente talvez, pulgente simplesmente. talhada nas coisas que vejo da boca pra fora, do olhar para dentro.

Pode até ser que eu esteja seguindo coisas que não me levem aonde quero chegar. Será que há mesmo como saber isso?

Talvez o chegar seja consequência de um caminho belo, onde eu possa fazê-lo calmamente, vestindo  uma sandália, parando a beira de uma cerca, ouvindo histórias de Fulano, catucando frutas que caíram no telhado de Beltrano, sorrindo ao admirar a tenra paisagem impressionista, colorida, e aconchegar-se nos braços de uma noite escura e silenciosa.

Junto de mim carrego alguns poetas. Poetas são aqueles que enchergam o mundo a partir dos olhos da alma e certas palavras deles são como ensinamentos que me põe a pensar e ouvir com o coração.

Este é o meu paraíso, sem muros ou cercas onde todos são bem vindos. Podem caminhar comigo mas o melhor é que seja feito lado a lado, assim poderemos olhar um para o outro e compartilhar o que tivermos de mais precioso, e isso poderá acontecer até mesmo sem palavras pois para certos versos, basta o silêncio.

E se depois de um tempo, as mãos dadas não fizerem mais sentido, sem lamento poderemos soltá-las pela felicidade de traçarmos o nosso próprio caminho e quem sabe, quando ouvirmos a nossa chuva, poderemos nos encontrar novamente…nem que seja nas palavras…

Quanta saudade…

criado por marcio.hgo    23:48 — Arquivado em: Sem categoria

3/2/10

Um conto de natal!

Sei que estou um pouco atrasado, mas estive viajando e postar sempre é um convite à reflexão e a um momento onde as palavras devem vir com calma e ao seu tempo. Aproveito para desejar a todos os leitores que o ano de 2010 seja mais que belo e marcante.

Uma pessoa muito especial me contou uma história que não poderia deixar de compartilhar.

Era véspera de natal de 2007 quando, envolvida de uma certa tristeza e um clima melancólico, Nina decidiu encontrar refúgio das mazelas do seu humor, dentro do seu quarto.

Era ele pequeno e em formato retangular. Nele haviam uma cama coberta com um colchão de perfil baixo e um lençol estampado jogado sem compromisso.

No canto à direita da porta repousava um guarda-roupa de duas portas feito em uma linha de produção padrão, mas que guardava todas as fantasias, identidades e adereços de quem canta para o mundo. Lá era guardado também uma caixa pequena com coisas secretas, onde Nina aos poucos estava se descobrindo. Próximo a ele, sobre um hack improvisado em um criado mudo, havia uma pequena tv e o canal do dia era sobre ciência e história devidamente embalados em um documentário sobre a 1ª uhh ou seria a 2ª guerra mundial?

Pois bem, o fato era que Nina iria desfrutar do que talvez seria sua única diversão natalina e qu veio atraves de um presente de uma amiga: um espumante tom jobimianamente gelado onde ela poderia se conciliar com suas dores e depois dormir tranquilamente em direção a um novo dia.

Com isso, foi fácil pensar no que fazer. Pegou logo uma taça, deitou-se na cama e assim foi, lembrança a lembrança, esvaziando a garrafa à companhia da luz que caetano velosamente entrava pela janela sobre a cabeceira da cama.

Ao finalizar seu ritual, sentia-se no alto da embriaguez: “__Nossa, devo estar bêbada!” completou em voz baixa, e com a televisão já fora do ar, o que lhe restava era ver o mundo girar de olhos fechados, até o dia clarear.

Eram 10 horas da manhã seguinte quando uma insistente dor de cabeça fez Nina abrir os olhos e pensar: “__Que ressaca!”. Descabelada e ainda meio tonta, ela pega a garrafa do tal espumante a fim de desfazer-se dessa lembrança que só lhe deixou dor de cabeça, quando de repente ao ler o rótulo, ela se viu traída pela sua própria veia trágica ao perceber que sua melancolia se transformara em um conto bem humorado. E no rótulo do espumante jaziam as seguintes palavras:

“Refrigerante gaseificado sabor de fruta, sem álcool”

criado por marcio.hgo    12:20 — Arquivado em: Sem categoria

14/11/09

Às nossas crianças

Há de se pensar que as crianças são seres divinos. Dotados de uma alegria e espontaneidade contagiantes, elas nos abraçam com sua forma de encarar o mundo. Basta ter o coração aberto para a não-pretensão, aquelas coisas sem ensaio, sem ser uma resposta pronta, que nos pega de surpresa sabe?

E mesmo assim, há quem duvide das crianças, da nossa própria criança. Ela é um ser fantástico, as vezes enigmático, com uma linguagem própria, um Universo autêntico, mas concreto. A criança deveras existe e a sua concretude também está sujeita às adversidades e friezas desse mundo, certo mundo frio em que vivemos onde ao menos tentamos transcender as dúvidas do viver que nos angustiam.

É como um cenário de teatro montado na rua. Não sabemos realmente se aquilo faz parte da realidade ou fantasia, se algo vai acontecer ou se aquilo montado é apenas aquilo. Um cenário cuja paisagem é o plano de fundo e nada mais.

O fato é que como nós, e mesmo dotados de uma resiliência sem medida, as crianças não simplesmente choram quando estão com fome ou quando tomam um tombo, mas choram porque sofrem. Ou então, guardam em si um silêncio aflitivo, discreto, quase imperceptível e que não é por causa de um resfriado ou febre, mas por um sofrimento de outra ordem.

A criança sofre. Sua subjetividade é vasta, frágil. Há muito o que ser aprendido, absorvido, compreendido, sentido por nós sobre o que elas vivem e absorvem na sua maneira de ver o dia.

Por conta disso, é fundamental que tenhamos um olhar para as nossas crianças, e incluo a nossa própria criança interna. Um olhar de cuidado, de quem sente em si um devir para abrir-se e poder assim cuidar do outro.

Quando falamos em saúde mental não podemos descartar em hipótese alguma a saúde das crianças. Cabe salientar que o que foi construído, em termos de literatura clínica (diagnóstico, tratamento e intervenção) na saude mental, foi muito bem feito mas direcionado aos adultos apenas.Ensaios clínicos, experimentos, medicação, terapêutica. Tudo ou pelo menos quase tudo pensando somente nos adultos. E as crianças?

“_Ahh, isso é frescura”, diriam uns. “__Imagina, essa manha ai eu conheço, ela sempre faz isso quando quer alguma coisa”, diriam outros.

“__O João Pedro é assim mesmo. Sempre foi quieto, nunca deu trabalho, é um exemplo de criança.
Podemos deixar ele sozinho que não há problema algum!”

O DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais) foi feito para adultos, ou seja, não se pensava ou ao menos não se concretizaram estudos que demonstrassem/investigasssem a manifestação de transtornos mentais em crianças e adolescente, de modo que a ciência carece de instrumentos e formas de avaliação diagnóstica e de intervenção voltadas para o público infantil.

Há uma proposta para o DSM-V, a ser lançado em 2012 onde inclui orientações para diagnóstico de transtornos mentais do eixo I em crianças e adolescente, mas é algo que ainda está sendo estudado.

Não quero, em hipótese alguma, lançar uma questão que envolva determinarmos uma classificação, ou caracterização de rótulos para serem “colados” nas crianças que “achamos” que não estão bem, para entupí-las de coisas que só limitariam sua existência. A idéia deste texto é a de pensarmos nas crianças como pessoas embuídas de um Universo a ser desvelado e que, pela sua fragilidade em alguns momentos, é importantíssimo que haja um cuidado humano com elas. Cuidado que envolva a percepção dos sentidos, o olhar carinhoso, atenção, afeto, e a vontade de que ela seja feliz a sua maneira.

A Dra Lee FU-I (http://lattes.cnpq.br/3695188771345476) é uma psiquiatra infantil pioneira no estudo de transtornos mentais em crianças e adolescentes no Brasil no que diz respeito ao transtorno Bipolar e depressão por exemplo. Evidenciou-se que a manifestação dessas patologias diferem e muito como a forma com que se manifestam na idade adulta e que uma vez diagnosticadas e devidamente tratadas na infância, reduz e muito as chances de se ter um adulto que sofra com um desses transtornos. Infelizmente no Brasil, são muito poucos os psiquiatras infantis justamente por ser um terreno obscuro e pouco explorado. É necessário certa ousadia, dedicação e formação para se aventurar nesse campo. coisa que poucos profissionais estão dispostos a fazer.

Tomando por base o Transtorno Bipolar — doença onde a vida do indivíduo é bem marcada por períodos que oscilam entre picos de euforia e picos de depressão — a alternância entre os ciclos no adulto ocorrem ao longo de uma semana, ao longo do mês, com fases bem marcadas, enquanto que na criança, essa oscilação de humor pode ocorrer nitidamente e várias vezes durante um mesmo dia.

Há de se ter “anjos da guarda” para cuidarmos das nossas crianças…..

“De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir. ”
Àlvaro de Campos

criado por marcio.hgo    15:31 — Arquivado em: Sem categoria

8/10/09

tres pontos…

se eu pudesse dizer do destino, certamente escreveria três pontos. Em uma fração de pensamento, toda a consciência estaria desligada e eu só seria sentimento. Uma entrega sem medida, a poucos passos, lentos passos, as mãos suaves junto ao peito, alguns acordes no piano, a solidão ao relento. Toda essa inundação bastaria, preencheria uma busca que não cessa de querer…

um colo a dois, um doce viver…eu apenas permitiria, como na continuidade gramatical dos três pontos, o caminho a seguir seria descalço, com uma leve chuva correndo, e eu querendo seu abraço, o silêncio dos instantes, a possibilidade de ser o ser amado. Se eu pudesse falar do destino, falaria daquele perfume, ao qual se rende e não se teme porque está perto… e há tempos não construía algo tão bom… o destino sempre se apresentará incerto, e apenas o coração faria a diferença, mudaria o cenário, não precisaria de crença. Seria a si mesmo, só pela humanidade que carrega. 

Se eu pudesse falar do destino, apenas seguiria o rio, lhe daria as mãos e… vem comigo?

“Mas hj aprendi o qto de mim é importante encontrar,e o qto do outro faz pte de mim..e se faz pte, é com isso que quero ficar! ” (Marcio Oliveira)

criado por marcio.hgo    2:37 — Arquivado em: Sem categoria

10/9/09

O possível….

Gosto de alguns autores, mas mais do que autores, gosto de palavras que falam da vida e procuram enxergar além do que simplesmente as coisas se apresentam, e sem julgamentos ou impressões, sem preconceitos ou escorregões da moral que só sabe julgar bem ou mal.

Enxergar além é propor ao coração uma possibilidade de ter olhos, e a partir dos olhos uma visão que nos guie. É velejar na selva porque é possível. É amar por simples amar porque é concreto. É poder tocar o que não tem contorno porque é intenso. É ouvir o silêncio porque tem cor. É dançar sem chão porque se está sobre nuvens. É beber a vida porque se tem fome…..

 e isso tudo é um pouco de mim porque sou humano….

e para citar alguém que muito gosto, assim dizia Mario Quintana

 O luar,
é a luz do Sol que está sonhando..

criado por marcio.hgo    1:08 — Arquivado em: Sem categoria

22/8/09

O olhar

“Não basta abrir a janela  para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego para ver as árvores  e as  flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia, não há árvores, há idéias apenas. Há só cada um de nós como uma cave. Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.”

Alberto Caieiro

Fernando Pessoa nos mostra que abrir mão de nós mesmos é um passo para ver o mundo como ele é. A essência pode ser bela, mas para vê-la é preciso atravessar a si mesmo.  Sartre nos aponta que “a existência precede a essencia”. Ele faz referência à existência como o momento em que o Homem se ‘busca’ no mundo, se encontra nele e a partir daí se define. Definir-se é constituir-se um ser em sua essencia.

Acontece que o mundo e a vida em sociedade de certa maneira nos polui. Nos enchem de ‘n’ referências Prét-à-Porter ao ponto de obscurecer nossa visão, o nosso olhar sobre o mundo e as pessoas. Seria como ver uma tela de Salvador Dali sem entender absolutamente nada do que esta sendo mostrado, mas sem entender não porque não se conhece de arte, mas porque a nossa capacidade de abstração e imaginação estão limitadas, pouco estimuladas ao ponto de fechar portas para algo belo e rico em sentido, cores, gostos e som, mesmo que seja “apenas” uma tela.

Por conta dessa limitação, nos fechamos para o novo, o improvável, o inesperado, o que muitas vezes não conhecemos, o diferente, o que nos parece estranhamente estranho a nós, e sendo assim uma possível cadência de crescimento se quebra e aquele belo instante do maravilhoso momento de criação da nossa historia e sentido sobre as coisas se perde. O nosso eu criança parece perdido. A criança, em sua subjetividade é muito mais rica pois pouco polui e é poluida e faz  brilha os olhos mesmo que esteja brincando “apenas” com uma bexiga vermelha.

criado por marcio.hgo    1:48 — Arquivado em: Sem categoria

4/8/09

Uma pequena poesia.

Sentada na beira da praia, ela pensa……. Pensa e sente como determinadas escolhas traçaram rumos ora intensos e belos, ora silêncio e sem chão……das cores da areia que brotam calor, do barulho do mar que abraça e convida para uma pausa …….é onde o mundo la fora parece ser outro, e o daqui de dentro só quer ser o que é……simples, belo e pedido……. um pedido ligado a liberdade….um pedido para ser cuidado sem maldade……..um pedido…..ora certo e atendido…….ora sem cor e perdido…… Sentada na beira da praia ela pensa….. sutilmente…..
criado por marcio.hgo    1:46 — Arquivado em: Sem categoria
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